Não é um livro técnico para contadores
Foi escrito para donos e gestores de academias, boxes e estúdios. Tem conta, conceito e legislação, mas em português, com exemplo de academia, e na ordem em que a coisa faz sentido para quem toca o negócio.
Carlos Eduardo Ignez · AG4 Editora
É o imposto da sua academia. E é o único que você nunca sentou para negociar.
A base disso não é interpretação. É texto.
Você negocia o aluguel, a energia, a taxa da maquininha e o suplemento. Agora responde sem consultar ninguém: quanto você paga de imposto por aluno?
Não o total do mês. Por aluno. De cada mensalidade de R$ 150 que entra, quantos reais saem em tributo?
Quase ninguém sabe, e não é descuido. No Simples, o tributo chega numa guia só: um valor, uma data, um código de barras. No Lucro Presumido, o contador monta, você aprova e paga. Nos dois casos você acompanha a saída do caixa, nunca a formação do número.
O dono de academia sabe quanto paga de imposto. Ele não sabe do que aquilo é feito. E ninguém discute o que não consegue ver.
Academia com 500 alunos pagando R$ 150. São R$ 75 mil por mês, R$ 900 mil no ano, no Simples Nacional. A atividade cai em um de dois anexos, e a diferença entre eles é grande.
E isso é só o DAS. Não entrou taxa municipal, não entrou tributo sobre lucro distribuído, não entrou contribuição adicional. Você tem algum outro fornecedor que custe R$ 167 mil por ano? Provavelmente só o aluguel e a folha. E com esses dois você negocia todo ano.
alunos novos para produzir o mesmo resultado.
Mensalidade nova não vira lucro. Ela entra numa fila: custo de aquisição, custo de atender, imposto. O que sobra no fim é a sua margem.
Imposto que você deixa de pagar não passa por fila nenhuma. Cai inteiro na margem. Reduzir R$ 5 mil por mês na conta tributária, com margem líquida de 15%, equivale a faturar R$ 33.333 a mais todo mês. A R$ 150 por aluno, são 222 matrículas novas.
Você tem 500 alunos. Estamos falando de crescer a base em 44%, com campanha, mídia, mais professor, mais equipamento e mais desgaste. A reestruturação tributária usa a mesma sala, os mesmos 500 alunos e o mesmo professor.
A virada de chave
Quando um aluno paga R$ 150, ele recebe acesso à estrutura, prescrição de treino, avaliação física, acompanhamento na sala, talvez aula coletiva e conteúdo. São coisas de naturezas diferentes. Mas na hora de faturar, tudo vira uma linha só: “Plano Gold, R$ 150,00”.
O sistema tributário brasileiro não cobra o mesmo imposto sobre coisas diferentes. Quando você declara tudo como uma coisa só, está dizendo ao fisco que vende uma coisa só. E ele aplica sobre o total a tributação daquela única coisa, que no seu caso é a mais cara da tabela.
Pegar a mesma mensalidade, entregar exatamente o que sempre entregou, e escrever na nota que uma parte é “produto”. Isso não segrega nada.
Simulação. Evasão com outro nomeAcrescentar à oferta um produto real, com preço real, que o aluno de fato adquire e de fato recebe. A partir daí você passa a ter dois tipos de receita.
Elisão. A lei exige a separaçãoA pergunta deixa de ser “como pago menos imposto sobre o que vendo?” e passa a ser “o que mais faz sentido eu vender para o meu aluno?”. Vira conversa de negócio, não de contabilidade.
Suplemento, roupa e garrafa também geram receita de mercadoria. Mas exigem estoque, compra, logística, espaço e capital de giro. Você troca um problema tributário por um problema operacional.
Benefício de lei ordinária cai com uma canetada. Imunidade constitucional só cai com emenda. A dos livros foi confirmada pelo STF em repercussão geral e virou Súmula Vinculante 57. Na prática: não paga ICMS e não paga ISS.
art. 150, VI, “d”O fisco vai perguntar se o valor atribuído corresponde à realidade. Com obra publicada, com ISBN, autor identificado e à venda em plataforma aberta, qualquer auditor confere em trinta segundos.

Todo planejamento tributário vive ou morre na prova. Tente demonstrar, quatro anos depois, que entregou uma garrafinha para um aluno específico em março.
Ninguém entra numa academia por causa do aparelho. Entra para emagrecer, ganhar massa, envelhecer bem, se recuperar. E a maior dúvida do aluno nunca é como usar a máquina: é nutrição, suplementação, descanso, o que fazer nos outros seis dias. Conteúdo não é enfeite na oferta de uma academia. É o complemento natural do que ela já entrega.
Abra a fatura detalhada do seu celular. Não o total do aplicativo, o detalhamento que ninguém abre. Você não vai encontrar “Plano, R$ 89,90”. Vai encontrar o plano principal e, abaixo, uma sequência de linhas com valores próprios: serviços digitais, conteúdo, aplicativos.
Isso não é desorganização. É segregação de receita, visível, na sua mão, todo mês.
Existem duas formas de ser o primeiro. Uma é testar uma tese que ninguém sabe se funciona. A outra é ser o primeiro do seu setor a aplicar uma tese já validada por outro. Você está na segunda.
Todas as simulações usam a mesma composição: mensalidade de R$ 150, sendo R$ 80 de serviço e R$ 70 de aquisição da obra digital. O aluno continua pagando R$ 150. O faturamento não muda. A faixa da tabela não muda.
| Porte | Faturamento | Enquadramento | Economia por mês |
|---|---|---|---|
| Academia pequena | R$ 50 mil/mês | Anexo III | R$ 1.350 |
| Academia pequena | R$ 50 mil/mês | Anexo V | R$ 3.050 |
| Academia média | R$ 150 mil/mês | Anexo III | R$ 5.415 |
| Academia média | R$ 150 mil/mês | Anexo V | R$ 9.290 |
| Academia grande | R$ 270 mil/mês | Anexo III | R$ 11.850 |
| Academia grande | R$ 270 mil/mês | Anexo V | R$ 16.840 |
| Rede no Lucro Presumido | R$ 350 mil/mês | Presunção de 8% e 12% | R$ 23.000 |
Repare que a economia não cresce proporcionalmente ao faturamento. Cresce mais, porque a distância entre as tabelas aumenta conforme você sobe de faixa. E a ressalva que o livro faz e que a maioria dos materiais esconde: esses valores são economia bruta. Existe custo de acervo, de ferramenta de entrega, de ajuste contratual, de inscrição estadual e uma rotina mensal a mais para o contador. Faça a conta líquida antes de decidir, e desconfie de quem só te mostrar a bruta.
Foi escrito para donos e gestores de academias, boxes e estúdios. Tem conta, conceito e legislação, mas em português, com exemplo de academia, e na ordem em que a coisa faz sentido para quem toca o negócio.
Prepara você para conversar com ele. Existe uma diferença enorme entre chegar dizendo “ouvi falar que dá para pagar menos imposto” e chegar dizendo “entendi a lógica da segregação de receitas, sei em que anexo minha atividade se enquadra, e quero avaliar se isso se aplica ao meu caso”. A primeira conversa não vai a lugar nenhum.
Você vai ver simulações reais e conseguir estimar a sua ordem de grandeza. O resultado depende do seu regime, do seu faturamento, do seu enquadramento e do ISS do seu município. Quem promete percentual fixo sem olhar a operação está chutando.
Tudo aqui é público: está na Constituição, em decisão do Supremo, na legislação vigente, e é praticado abertamente por empresas grandes que você conhece pelo nome. Uma delas provavelmente é a operadora do seu celular.
Academia com 80 alunos a R$ 150 fatura R$ 144 mil por ano. No Anexo V, a economia fica em torno de R$ 720 por mês, o que provavelmente compensa. No Anexo III, cai para cerca de R$ 188 por mês, e aí é bem possível que o custo de implantar e manter consuma boa parte disso.
O livro responde isso com essas palavras, na página 174. Se o seu porte não justifica, você vai saber antes de gastar um real com implantação, e vai ter aprendido a calcular sozinho a sua alíquota efetiva. O que já vale a leitura.
O que tem dentro
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Anexos: checklist de conformidade (antes de começar, todo mês, uma vez por ano), modelo de cláusulas contratuais para o contrato do aluno, e um glossário do dono de academia. Mais o teste das sete perguntas: sete “sim” e a sua estrutura está de pé.
Você negocia com todo fornecedor que aparece. Este é o único que nunca entrou na conversa, e ele é maior que quase todos os outros.
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É, e não depende de interpretação favorável de ninguém. A imunidade dos livros está na Constituição desde 1988, foi confirmada pelo Supremo em julgamento com repercussão geral e virou súmula vinculante. A obrigação de segregar receitas por natureza está escrita na lei do Simples Nacional. O que existe de discutível não é a tese, é a execução. E o livro dedica dois capítulos inteiros a ela.
Não, e a diferença é total. Empresa de fachada é uma casca criada para receber receita que na verdade pertence a outra operação. Aqui não se cria empresa nenhuma: a mesma academia, com o mesmo CNPJ, passa a vender também um produto real, entregue de verdade, e declara cada receita conforme a natureza dela. É o oposto de esconder. É declarar com mais precisão do que antes.
Você apresenta cinco coisas: o contrato assinado pelo aluno com os valores separados, a nota fiscal de cada operação, o registro da entrega de cada obra por CPF e com data, o preço público das obras arquivado, e a escrituração segregada. Se essas cinco peças existirem e forem coerentes entre si, não há o que questionar. O fisco vai encontrar exatamente o que a sua declaração diz. Fiscalização só é assustadora para quem tem alguma peça faltando.
Porque é novo no seu setor. Isso é rotina em telecomunicações há mais de uma década e praticamente inédito em academias. Um contador que atende academias, clínicas e lojas não tem por que ter esbarrado nisso.
E vale dizer: o trabalho contratado de um contador é manter a sua empresa em ordem, não sair procurando estratégias de outros setores para trazer ao seu. Isso não é falha dele.
É o contrário. A imunidade dos livros foi expressamente mantida no artigo 9º da Lei Complementar 214/2025, que instituiu o IBS e a CBS, num momento em que centenas de outros benefícios foram cortados. Em 2027, PIS e COFINS são extintos e substituídos pela CBS, que é imune para livros. Os nomes dos tributos e a mecânica de apuração vão mudar, mas para a venda de livro a reforma é vento a favor, não risco.
Não precisa mudar, e na maioria dos casos não muda. Ele continua pagando o mesmo valor e passa a receber uma obra por mês que é dele, e continua sendo dele mesmo que cancele o plano no mês seguinte. Do ponto de vista do aluno, o plano melhorou pelo mesmo preço.
Cerca de sessenta dias, se nada travar. O item que mais atrasa é a inscrição estadual, cujo prazo varia bastante de estado para estado, e por isso ela é a primeira providência do cronograma e não a última. O livro traz o cronograma completo, etapa por etapa.
Não. Ele foi escrito para quem toca o negócio, não para quem faz a apuração. O Capítulo 15 é justamente sobre como levar isso para o seu contador, incluindo as perguntas que ele vai fazer. E existe uma nota final escrita diretamente para ele, com todas as referências legais, para você entregar.
É um e-book digital. Depois da compra, a Hotmart libera o acesso imediatamente por e-mail. Você lê no celular, no tablet ou no computador.
Você tem sete dias para pedir o reembolso integral, direito garantido pelo Código de Defesa do Consumidor. Sem pergunta e sem burocracia.
Enquanto a maioria das academias da sua cidade continuar pagando imposto sobre cem por cento do faturamento apenas como prestação de serviços, a diferença de margem entre você e elas não é pequena.
É a diferença entre poder segurar o preço quando o concorrente aumenta e não poder. Entre pagar melhor um professor bom e perdê-lo para a academia do outro lado da avenida. Entre abrir a segunda unidade com capital próprio e continuar sonhando com ela.
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